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AUTONOMIA E INDEPENDÊNCIA

Rosangela Coimbra Brasil Amaral
Psicóloga – CRP – 04-3770

Após 30 anos de trabalho em RH, hoje, atuo na orientação vocacional e de carreira direcionada também ao público jovem.  No desenvolvimento dessa tarefa, há algo que desperta a minha atenção, o desejo desses jovens de “fazer intercâmbio em outro país, com o objetivo de se aperfeiçoar em outra língua e ficar mais independente”…

O que me preocupa é observar como esse jovem entre 17 e 20 anos, às vezes entre 20 e 30 anos, está distante de experiências que poderiam lhe proporcionar a autonomia que procura. Experiência, essa, que gerações como a minha vivenciaram e que muito corroborou para uma maturação harmoniosa, fazendo falta para esse jovem que está num mundo que lhe exige respostas muito rápidas.

Muito da independência que ele quer, ainda vai demorar a adquirir, pois, não houve, ou não lhe foi proporcionado, a oportunidade de desenvolver habilidades básicas durante seu crescimento.

Refiro-me a algo muito simples, corriqueiro, que foi esquecida na educação de hoje, por grande parte das famílias, que é a “educação doméstica”.

No simples ato de organizar-se e ser organizado, cuidando de si e aprendendo tarefas domésticas possíveis para cada idade. Como, por exemplo, as que podem ser iniciadas antes dos dois anos, guardando brinquedos com a mãe, pai e/ou adultos que estão por perto.

Chegar aos 17 anos, sabendo cuidar de si, de suas coisas, de seu quarto, com participação diária nas tarefas de casa, inclusive, conhecer o custo de uma compra mensal de supermercado e outras despesas obrigatórias, farão com que esses jovens adquiram competências que lhe facilitarão sua inserção em qualquer profissão e ambientes profissionais da vida adulta.

O FAZER é a base para o desenvolvimento de habilidades, que uma vez automatizadas, levará a novas conexões e caminhos do QUERER FAZER e do APRENDER. Tudo isso lhes proporcionarão uma bagagem que aumentará a cada dia.

Esse QUERER FAZER possibilita a abertura de novos caminhos, ajudando a assimilar atitudes de iniciativa, responsabilidade, cumplicidade, colaboração, inovação, generosidade e tantas outras à escolha, associando-se ao CONHECER, visto como todo desenvolvimento intelectual. Esse sendo o mais valorizado e cobrado pelas famílias e sociedade. Isso considerando o  conceito de competências de “McClelland”, como a soma de conhecimentos, habilidades e atitudes = CHA.

Uma educação que prioriza somente o CONHECIMENTO  (o qual é importantíssimo), permitindo que a criança ASSISTA a vida, vendo tantas pessoas lhe servindo, tem toda tendência para acentuar comportamentos de individualismo e egoísmo. Essa pessoa pode querer que o mundo volte-se somente para ela.

Em contrapartida, aquele, que teve oportunidade de participar ativamente da construção de sua família e de sua casa, poderá ir, naturalmente, assumindo o protagonismo de sua vida, (desenvolvimento da liderança). Será capaz de enfrentar os obstáculos de sua jornada, sabendo que encontrará, também, anjos auxiliares, por este caminho, para cumprimento de sua missão. Não digo que isso seja fácil, é um processo de construção em família!

Portanto, AUTONOMIA E INDEPENDÊNCIA, começam lá atrás, ainda na primeira infância e, para estes, o intercâmbio será uma riquíssima oportunidade e agregadora, podendo explorá-lo do ponto de vista sócio-político e cultural.

CONHEÇAO TRABALHO DE ROSANGELA COIMBRA BRASIL AMARAL