Nós e nossos medos

Nós e nossos medos

Rafael Gonzaga – Coach – 98779 7080

O escritor Guimarães Rosa dizia que “o que a vida quer da gente é coragem”. É preciso coragem para se questionar: qual o custo do medo, ou seja, será que enfrentá-lo seria menos assustador do que conviver com ele? Será que a importância que dou ao medo se justifica? Quantas vezes deixamos de falar e de agir por medo da reação do outro? Será que em todos os casos, o medo tem nos protegido, ou seja, será que tem gerado potência para nossas vidas? A fobia muitas vezes é sinal do desejoNietzsche em um de seus aforismos nos diz “temo o redemoinho porque ele me atrai”.

Temos medo da dor e do sofrimento que podemos causar em nós e nos outros, mas não devíamos temer tanto porque o sofrimento é transitório. Segundo Espinosa  “Dor é uma tristeza que deriva da transição de uma situação pior para uma situação melhor.” Sendo assim, uma vez resolvida a transição as pessoas se acostumam com a nova condição e se sentem confortáveis outra vez. Arthur Schopenhauer separa os prazeres em positivos que derivam da alegria e os negativos como a saúde ou o amor pois estes derivam do fim de uma dor. Se a questão aqui é nos livrarmos do medo provocado pela suposição da dor então precisamos da crença de que essa dor é passageira, transitória e que alimenta nossos prazeres negativos.

Tive uma cliente que morria de medo de falar o que gostaria com o sócio. Achava que iria magoá-lo. Essa situação gerava muito sofrimento e muitas vezes ela se tornava agressiva com outras pessoas. Ela estava descontando a raiva do sócio em outras pessoas. Só conseguiu dar um basta na situação em que vivia quando deixou de atribuir culpa ao sócio pela relação dos dois e passou a culpar sua incapacidade de se comunicar com ele. Deixou de ser vítima e passou a ser senhora da situação. Há que se encontrar uma forma saudável de lidar com nossos medos, raivas e com nossa própria violência para que esses sentimentos não se volte contra nós.

Existem raciocínios automáticos que incentivam nossos medos. Um dos mais comuns é o “E se”: “E se eu não conseguir?”; “E se não agradar?”. Os que desejam mais autoconfiança precisam estar atentos ao surgimento dos pensamentos automáticos e respondê-los prontamente: “se as coisas não acontecerem como planejei, tudo dará certo porque darei conta do que vier”. A proposta aqui é questionar a voz que sempre diz a você para não se arriscar: “você vai se arrepender”, “você não vai dar conta”. Esse questionamento é parte do processo de aquisição do protagonismo.

O tratamento individual dos medos com base em suas causas pode resultar em eternas desculpas para não agir, o que acaba fortalecendo os temores. Sendo assim, em vez de desperdiçar energia com os porquês da existência de tal sentimento, proponho questioná-los intensamente. Corrigir um modo de pensar exige a crítica do pensamento e a busca de exemplos que contrariam o pensamento anterior. Tal racionalidade pode gerar alívio para a maioria das questões superficiais, mas não vai funcionar se as questões forem muito profundas, pois para tais casos seria necessário um bom terapeuta.

Em todo caso, vale a pena acreditar que, no fundo, por trás de todos os medos, há o temor de não poder enfrentar o que nos acontece e que não há medo que resista à crença de que você é maior que seus problemas. Isso significa que você pode enfrentar todos os medos sem ter de lutar contra eles, um por um. Você não precisa controlar as situações que lhe geram medo, basta desenvolver a confiança na sua capacidade de enfrentar o que vier. Para tanto, um bom exercício é se lembrar das vezes que agiu apesar dos medos.

Sabemos que o medo sempre vai existir, mas a forma como o encaramos pode variar. Podemos encará-lo com uma postura de sofrimento e de vítima das circunstâncias ou a partir de uma perspectiva de potência e protagonismo, não dando a ele a importância de que necessita para crescer. Em última análise, somos nós que decidimos alimentar ou não nossos medos. Possuo técnicas específicas para trabalhar mudanças e neutralizar o medo no processo de coaching. Se você quer realizar mudanças comportamentais e não tem conseguido sozinho, conte comigo para ajudá-lo.

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